Com diagnóstico precoce, chance de cura de câncer de rim aumenta em mais de 80%

Avanço no tratamento início da doença permite a realização de cirurgia sem a retirada total do órgão

Com diagnóstico precoce, chance de cura de câncer de rim aumenta em mais de 80%

O câncer de rim é uma daquelas doenças que se desenvolvem de mansinho, sem apresentar muitos sinais. Normalmente ele é descoberto ao acaso, após o paciente sentir dores abdominais, imaginar uma possível infecção e procurar o médico. Por esse motivo, segundo relatório apresentado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ele é um dos tumores com maior índice de mortalidade no Brasil chegando a 54%. Isso quer dizer que a cada duas pessoas diagnosticadas com a doença, um morre. Ele também é o responsável por causar cerca de 100 mil mortes anualmente em todo o mundo. Estes são dados que evidenciam ainda mais a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. 

Responsáveis por purificar o sangue, eliminar toxinas e agir na produção de hormônios, os rins podem ser acometidos por cinco tipos de câncer. Segundo o urologista Guilherme Maia, do Hospital Santa Joana Recife, o mais comum deles é o Carcinoma renal de células clara (RCC), que é originado no tubo responsável por filtrar as impurezas do sangue. Os sintomas são dores abdominais, presença de sangue na urina, febre e massa abdominal palpável. Ainda de acordo com o médico, idosos, fumantes, hipertensos e pessoas com insuficiência renal e predisposição genética tem mais probabilidade de desenvolver a doença. 

Quando diagnosticado, o câncer de rim responde muito mal aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia. Por isso, a cirurgia é o meio mais indicado para reverter a doença. A nefrectomia radical é a opção mais tradicional e mais usada na maioria dos casos. Ela consiste na retirada total dos rins, da glândula adrenal e dos linfodos regionais. No entanto, graças aos avanços da medicina e aos os diagnósticos mais precisos, hoje em dia já é possível realizar uma nefrectomia parcial. “Este novo tipo de tratamento possibilita a retirada do tumor, sem a necessidade de retirar o rim. No entanto, ele só pode ser realizado com sucesso quando o tumor estiver entre 4 e 7 cm de diâmetro. Aí está a importância do diagnóstico precoce”, explica Maia. Nesse estágio inicial, o percentual de cura ultrapassa os 80%. 

Ambas as cirurgias podem ser feitas por via robótica ou laparoscópica, que são realizadas através de pequenas incisões no corpo. A técnica possibilita menos complicações, melhor recuperação no pós-operatório e retorno às atividades mais cedo. Outras opções de tratamentos, desta vez para os casos mais avançados, são a crioterapia (destruição do tumor através do congelamento), radiofrequência (realiza o mesmo procedimento, mas com ondas de calor), imunoterapia e drogas inibidoras da angiogênese. “Esses medicamentos, associados ou não ao tratamento cirúrgico, podem levar ao controle e à regressão da doença”, afirma Maia.

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