Dia da Cerveja Brasileira: essa história nasceu no Recife

Cerveja criada na casa de Maurício de Nassau também foi a primeira das Américas e, hoje, o Estado faz renascer essa tradição.

Dia da Cerveja Brasileira: essa história nasceu no Recife

No dia 05 de junho se comemora o Dia da Cerveja Brasileira. Poucos sabem, mas a história da bebida no Brasil está diretamente ligada ao desenvolvimento de Pernambuco. Em 1637, o Conde Maurício de Nassau aportou no Estado e trouxe, além da prosperidade, o mestre cervejeiro Dirck Dicx. Com equipamentos, lúpulos e ingredientes trazidos diretamente da Holanda, no ano de 1640, o Brasil inaugurou sua primeira cervejaria, que foi construída na residência de Maurício de Nassau, nas Graças, e batizada de “La Fontaine”. Assim, foi na Zona Norte da Capital Pernambucana que nasceu a primeira cerveja, não somente nacional, mas das Américas. 

Apesar desse pioneirismo, o Brasil só começou a se tornar referência na produção e venda de cervejas de puro malte na última década, graças aos estados do Sul. O Nordeste começou a se destacar no último ano. Segundo pesquisa da Kantar Worldpanel, no total, foi registrado o aumento de participação na produção nacional de cerveja de 26,2% na região, enquanto no país foi de 14,3%. E as cervejarias pernambucanas são algumas das grandes responsáveis por esse aumento. Desde 2015 foram registradas oito cervejarias especiais, como a Debron Bier, Capunga, Estrada, Duvávlia, Pattlou e a Babilon. De acordo Raphael Vasconcelos, presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Pernambuco (Acerva-PE), o boom aconteceu em 2015, quando surgiram três novas cervejarias especializadas na bebida artesanal. Na contramão do atual cenário das cervejarias artesanais do Brasil, que estão estagnando, as fabricantes pernambucanas cresceram em 2016. Atualmente, o Estado é responsável por colocar no mercado aproximadamente 30 mil litros de cerveja artesanal. Espera-se que ao menos mais duas entrem em funcionamento até o final do ano. 

No mundo, existem 150 estilos da bebida catalogados. Eles são definidos de acordo com fatores como ingredientes, cor, sabor, grau de torrefação, produção, receita, origem, entre outros. São tantas peculiaridades que existe uma espécie de tabela periódica da cerveja artesanal. As mais comuns são as lagers, que tem como tipo mais conhecido a Pilsen, e são responsáveis por mais de 99% das vendas no Brasil. Em Pernambuco, as cervejarias registradas já estão produzindo 10 estilos. Como as Pale Ale, Pilsen e Weizen da DeBron Bier, ou os dois tipos de Pilsen e uma IPA, da Ekuat. “Em junho nós vamos lançar um novo estilo, uma American Ipa, tipo Ipa Pale Ale com lúpulos americanos”, explica Thomé Calmon, um dos nomes à frente da DeBron Bier. 

Esse aumento na produção de cervejas artesanais e do interesse por parte dos consumidores têm estimulado a disseminação da cultura cervejeira. “Agora, já temos réguas de cerveja, ou sampler, como elas são chamadas, que estimulam a degustação de vários estilos da bebida”, explica Thomé Calmon, que ressalta ainda a procura pelo Growler. “Trata-se de uma garrafa de vidro em formato de galão que é uma tradição consolidada nos Estados Unidos e vem ganhando força no mercado brasileiro. Consegue conservar a bebida por até cinco dias, sem alterar o sabor e o aroma”, continua Thomé. O growler surgiu por volta de 1800, nos Estados Unidos, para os que queriam transportar o chope em menor quantidade e para consumo próprio, visto que a bebida era comumente comercializada em barris. 

Também tem crescido o número de eventos que enaltecem as cervejas artesanais que seguem a Lei da Pureza Alemã, que completou 500 anos. Como o Beer Brake, que acontece no próximo dia 11 de junho, das 11h às 18h, no Empório Gourmet Reserva do Paiva, e vai promover palestras, show e degustação de seis estilos de brejas, de um total de 150, mapeados. AReinheitsgebot, ou a Lei da Pureza Alemã, foi aprovada no dia 23 de abril de 1516 em Ingolstadt, na Região da Bavária e diz que uma boa cerveja deve conter apenas água, cevada, lúpulo e levedura. Os festivais cervejeiros também visam enaltecer as cervejas pernambucanas, para que o Estado se destaque ainda mais no cenário nacional. “Recife tem potencial para ser o principal polo cervejeiro artesanal do Norte e Nordeste”, finaliza Thomé Calmon.

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