Diretor teatral Glauber Teixeira é encontrado morto no rio São Francisco

Ele teria se afogado na noite da segunda-feira (28), em Delmiro Gouveia; equipes de resgate se deslocam para o local e família ainda não reconheceu o corpo

Diretor teatral Glauber Teixeira é encontrado morto no rio São Francisco

O diretor de teatro Glauber Teixeira, de 51 anos, morreu afogado no rio São Francisco, no município sertanejo de Delmiro Gouveia, distante 295 km da capital. Segundo informações do distrito policial da cidade, o corpo foi encontrado por pescadores durante a madrugada desta terça-feira (29). Equipes de busca de Piranhas que estavam de plantão durante o ocorrido, deslocaram-se nesta manhã para o local e, até o fechamento desta matéria, não haviam retornado com novas informações. A família ainda não reconheceu o corpo, que será encaminhado para o Instituto de Medicina Legal de Arapiraca.

Segundo a atriz Adriana Manolio, que recentemente estreou, no palco do teatro Deodoro, o espetáculo “Sou Mãe, vai encarar?”, sob a direção de Teixeira, a última vez que o também produtor cultural esteve em contato com ela foi na quinta-feira (24). “Ele me disse que não poderia me acompanhar no próximo dia 3, quando levo a peça para Arapiraca. Informou que iria para Recife, mas, depois, não visualizou mais a conversa.”

Na redes sociais, a atriz se mostrou abalada com a notícia. “Os meus primeiros aplausos foram os seus últimos. Não era pra ser assim, era para a gente se divertir e viajar muito. Não estou sabendo como lidar com essa ausência. Sei que fui presenteada por te ter tão meu nos últimos dias, meu vizinho, meu amigo, meu diretor, meu mentor”, postou no Facebook.

Até o momento a morte não foi confirmada pelas autoridades, nem pela família. “Pelo que soube, e isso foi por um amigo que mora em Delmiro, o corpo somente seria retirado do local agora pela manha por conta do difícil acesso. O corpo de bombeiros de Paulo Afonso é que faria a retirada do corpo e o levaria para Arapiraca”, relata Adriana.

O colega Mauro Braga, ator e diretor do grupo Cena Livre, dividiu períodos da formação em teatro com Glauber Teixeira. “Fiquei sabendo da notícia pelo Facebook. Ele era um dos profissionais mais criativos e competentes que tivemos. Conheci-o ainda garoto, quando fui estudar na UniRio, na capital fluminense. Eu entrando e ele já pelo quinto período da graduação. Quando voltei para Maceió, ele também retornou. Sempre fui um admirador do trabalho que Glauber fazia, mas não chegamos a trabalhar juntos. Vivia o encontrando no teatro Deodoro. É assustador tudo isso.”

Em dezembro do ano passado, Teixeira foi um dos responsáveis pela realização do espetáculo “Maceió meu Xodó”, que comemorou o bicentenário da capital. Foram mais de 400 artistas e técnicos homenageando os tons, os sons e o folclore maceioenses. A cantora Elaine Kundera participou do projeto. “Glauber era meu amigo há muitos anos. Estou sem palavras. Esse foi um ano difícil, perdi alguns amigos. Emocionalmente estou arrasada.”

O também diretor teatral Julien Costa destaca a perda sentida por artistas que trabalharam com ele e que, inevitavelmente, tornaram-se amigos e admiradores. “Todos estão perplexos. Glauber Teixeira foi responsável por lançar uma geração de atores no nosso Estado. Um ser iluminado que vai deixar uma lacuna no teatro alagoano. Hoje vários colegas estão sentindo a dor de ter perdido um pai, um orientador nos caminhos artísticos. Estamos todos um pouco órfãos. Ainda há um sentimento de que não é real, que essa tragédia não aconteceu.”

Glauber Teixeira ainda dirigiu a montagem “Peleja – Razão mutilada”, baseada nos personagens da obra do escritor alagoano Breno Accioly (1921-1966). A peça foi resultado da residência teatral realizado pelo Sesc Alagoas em 2014.

 

 

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