Longa-metragem alagoano “Cavalo” terá sua primeira exibição na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Num processo de criação em co-autoria, as personagens foram provocadas a construir performances inspiradas pelo arquétipo do cavalo e suas muitas simbologias.   

Assessoria de Comunicação / Rafhael Barbosa

Longa-metragem alagoano “Cavalo” terá sua primeira exibição na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Fruto de cinco anos de pesquisa e desenvolvimento,  o longa-metragem “Cavalo” finalmente terá sua primeira exibição para o público brasileiro na programação da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece na cidade histórica mineira entre 24 de janeiro e 01 de fevereiro de 2020.

“Cavalo” foi selecionado entre 178 longas inscritos, e vai compor a Mostra Temática, em diálogo com o tema central desta edição, que é “A imaginação como potência”. A exibição acontecerá no dia 01 de fevereiro.

O projeto foi contemplado no Prêmio Guilherme Rogato, da prefeitura de Maceió, e contou com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual  – FSA para sua realização. Primeiro longa-metragem fomentado por um edital público em Alagoas, “Cavalo” representa um marco para a política cultural do estado.

Com direção de Rafhael Barbosa (“O que Lembro,Tenho”) e Werner Salles Bagetti (“Exu – Além do Bem e do Mal”) o filme utiliza uma linguagem híbrida, entre a ficção, o documentário e a experimentação, para  falar sobre a memória da ancestralidade no corpo.

“Desde ‘Exu’ (2012) temos desenvolvido um projeto artístico que se relaciona com os arquétipos dos orixás e das entidades. Uma pesquisa de oito anos que influenciou na concepção do nosso primeiro longa. Também estávamos estudando a história do Quilombo dos Palmares, uma das maiores narrativas de resistência do mundo, quando entendemos que seria instigante investigar os ecos desse passado no contemporâneo. A ancestralidade foi o caminho encontrado para expressar essa busca”, explica Rafhael Barbosa, responsável pelo roteiro e direção do filme, ao lado de Werner Salles.

“Escolhemos o corpo como signo mais proeminente do filme. Nossas personagens são sete jovens artistas, rappers, Bboys e Bgirls, dançarinos e dançarinos de diferentes gêneros.  E alguns deles são cavalos (como são chamados os médiuns na Umbanda e o Candomblé), condição que potencializa a capacidade de expressão corporal” completa Werner.

“O contato com as histórias das personagens transformou o roteiro do filme. Nas audições fomos confrontados com relatos muito ricos, histórias poderosas. Enxergamos  nessas sete trajetórias elementos que se complementam para criar uma só narrativa”, diz Rafhael Barbosa.

Compõem o elenco de protagonistas Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Roberto Maxwell  e Sara de Oliveira. O grupo foi selecionado após um teste de elenco, e passou a conviver num intenso processo de preparação. Uma imersão artística que é mostrada no filme como um de seus eixos narrativos.

Num processo de criação em co-autoria, as personagens foram provocadas a construir performances inspiradas pelo arquétipo do cavalo e suas muitas simbologias.

Para Werner Salles, o filme também é um mergulho nas possibilidades do inconsciente. “Cavalo também é um arquétipo do inconsciente, uma metáfora do corpo, da força, da psique. E o filme dialoga diretamente com essas questões. A intuição foi o guia, não só nas performances das personagens, mas desde a concepção até a montagem final. Somos todos cavalos nesse processo.”, explica.

Segundo os diretores, apesar da linguagem provocadora, “Cavalo” tem a intenção de alcançar uma  trajetória popular.

“O filme não tem uma narrativa clássica. Seguimos o caminho do cinema de poesia, mas sempre com uma vontade de se conectar com o público por meio da sensibilidade. Num momento em que a intolerância religiosa e os diversos preconceitos avançam de maneira preocupante no país, “Cavalo” é um grito poético que deve reverberar”, diz Rafhael.

SINOPSE:

Envolvidos num processo artístico, sete jovens dançarinos são provocados a um mergulho em suas ancestralidades.

SERVIÇO:

O quê: Lançamento do longa-metragem “Cavalo” na  23ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Onde e quando: No Cine Teatro (Tiradentes – MG), sábado, às 15h

Entrada franca.

Mais informações: nucleozero.com.br

FICHA TÉCNICA:

Roteiro e direção: Rafhael Barbosa e Werner Salles Bagetti

Preparação de elenco: Glauber Xavier e Flávio Rabelo

Direção de produção: Adriana Manolio

Produção executiva: Valeska Leão

Assistência de produção: Renah Roxo Berindell

Som direto: Simone Cordeiro

Assistência de som direto: Emmanuel Miranda

Direção de arte: Nina Magalhães e Weber Salles Bagetti

Montagem: Werner Salles Bagetti e João Paulo Procópio

Direção de fotografia: Roberto Iuri

Assistência de câmera: Chapola Silva

Edição e mixagem de som: Lucas Coelho

Assistência de direção: Guilherme César

Iluminador: Moab de Oliveira Santos

Trilha sonora original: Luciano Txu

Elenco: Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Robert Maxwell  e Sara de Oliveira

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

A Mostra de Cinema de Tiradentes chega a sua 23ª edição, de 24 de janeiro a 01 de fevereiro de 2020, com oferta de uma programação diversificada, intensa e gratuita. Serão nove dias de evento com exibição de 113 filmes (31 longas, 1 média e 81 curtas-metragens), divididos em 53 sessões de cinema, e ainda, promove 39 mesas de debates, diálogos audiovisuais e a série Encontro com os Filmes, performances artísticas e musicais, oficinas e lançamentos de livros.

A 23ª  Mostra Tiradentes será norteada pela temática “A imaginação como potência”. A proposta é uma tentativa de ser propositivo diante de um cenário incerto, olhar adiante e enxergar na arte e na criação os caminhos possíveis para novos rumos.

A constatação é de que, mesmo numa época de dúvidas e de deslegitimação das instâncias oficiais, o cinema brasileiro vive um momento de absoluta efervescência criativa e de recepção. “O que emerge na atual produção no país é o desejo de interpretar nossa experiência hoje, de projetar caminhos possíveis, de provocar imagens que nos remetam a uma perspectiva sobre o passado tendo em vista não só um olhar original sobre fraturas sociais e políticas, mas também uma superação destas num desejo de futuro”, destaca Francis Vogner, coordenador curatorial.

Parte da programação foi pautada pela temática, com o objetivo de apresentar empiricamente através dos filmes as ideias que permearam suas escolhas. Além de vários títulos dentro das diversas mostras, um recorte específico leva o nome da temática e reúne três longas: “Sofá” (RJ), de Bruno Safadi; “Cavalo” (AL), de Rafhael Barbosa e Werner Salles, e “Um Dia com Jerusa” (PE), de Viviane Ferreira, além quatro curtas: “A Felicidade Delas” (SP), de Carol Rodrigues; “Pattaki” (SE), de Everlane Moraes; “O Verbo se Fez Carne” (PE), de Ziel Karapotó; e “Inabitáveis” (ES), de Anderson Bardot. Duas mesas do Seminário do Cinema Brasileiro irão discutir o assunto: uma no dia 25, às 10h15, com a presença de toda a equipe curatorial da Mostra (Francis Vogner, Lila Foster, Pedro Maciel Guimarães, Camila Vieira e Tatiana Carvalho Costa); e outra no dia 26, às 15h30, com os pesquisadores Ivana Bentes, Bernardo Oliveira e Helena Vieira.

SOBRE A PRODUTORA 

O Núcleo Zero é uma produtora audiovisual alagoano que atua desde 2003. Entre seus principais trabalhos estão os telefilmes “Imagem Peninsular de Lêdo Ivo”(2003) e “História Brasileira da Infâmia – Parte 1”, documentários contemplados no programa DocTV, e os curtas KM 58 (2011), “Interiores ou 400 Anos de Solidão” (2012),  “Exu Além do Bem e do Mal” (2012), O que Lembro, Tenho” (2012) e “Dialetos” (2014). Juntos os filmes participaram de mais 50 festivais no Brasil e no mundo, a exemplo do Cine Ceará, Curta Brasília, Festival Internacional de Curta-metragem de São Paulo – Kinoforum, Curta-Cinema (RJ), Cine PE, Brazil CINE – Festival de Cinema Brasileiro da Escandinávia, Festival internacional Cinematográfico de Toluca – México, Lakino: Latin American Film Festival Berlin e El Festival de Cine Polo Sur Latinoamericano.

“Cavalo” é o primeiro longa-metragem da produtora, que atualmente desenvolve os longas “Miami” e “Utopia” (em co-produção com a La Ursa Cinematográfica).

SOBRE A DISTRIBUIDORA 

A La Ursa cinematográfica é a primeira produtora alagoana a também atuar no mercado de distribuição. Além de “Cavalo”, a empresa tem em sua carteira de projetos os longas “Olhe para Mim”, “Miami” e “Utopia”, projetos contemplados em editais Ancine/FSAL que se encontram em diferentes fases de produção. A La Ursa também produziu os curtas “A Barca” (selecionado para a Mostra Foco na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes), “O Cortejo” e “Avalanche” (em regime de co-produção).

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