Promotoria de Santana do Ipanema investiga denúncia de cárcere privado e maus tratos e consegue libertação de vítima e a prisão do agressor

Depois de quase três anos de sofrimento, o martírio da dona-de-casa Ana Maria das Graças chegou ao fim. Na tarde desse sábado (23), após a expedição de um mandado de busca e apreensão familiar, a Promotoria de Justiça de Santana do Ipanema e equipes do Pelopes daquele município conseguiram localizar a vítima e prender o […]

Promotoria de Santana do Ipanema investiga denúncia de cárcere privado e maus tratos e consegue libertação de vítima e a prisão do agressor

Depois de quase três anos de sofrimento, o martírio da dona-de-casa Ana Maria das Graças chegou ao fim. Na tarde desse sábado (23), após a expedição de um mandado de busca e apreensão familiar, a Promotoria de Justiça de Santana do Ipanema e equipes do Pelopes daquele município conseguiram localizar a vítima e prender o homem acusado da prática dos crimes de cárcere privado e maus tratos.

Cícero Rafael foi preso num povoado localizado na zona rural de Olivença, acusado de, durante aproximadamente três anos, espancar a sua companheira, Ana Maria das Graças. Além dela, o homem também responde pela acusação de maus tratos contra o filho do casal, de apenas três anos.

“Ele me batia quase todos os dias e, inclusive, numa das vezes, eu até quebrei o nariz. E como se já não bastasse as agressões contra mim, o Rafael também espancava o nosso filho”, relatou a vítima ao promotor de Justiça Luiz Tenório.

“O pior é que eu não podia denunciá-lo. Ele dizia que seu prestasse queixa à polícia, mataria a mim, aos meus dois filhos (ela também é mãe de uma adolescente, fruto de seu primeiro casamento) e aos meus pais. Eu vivia com medo. E além disso, meu ex-marido ainda me obrigava a dar a ele, todo mês, o valor integral que eu recebia da pensão da minha filha. Ele usava o dinheiro para sustentar seus vícios de bebida alcoólica e drogas”, acrescentou ela em termo de declarações prestado pelo promotor.

Denúncia anônima 

O caso foi investigado pela 3ª Promotoria de Justiça da comarca de Santana do Ipanema, que recebeu cópia da denúncia anônima enviada ao Disque 100 da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República.

Tal denúncia foi encaminhada à Promotoria pelo procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, após recebimento das informações vindas do Núcleo de Defesa das Mulheres do Ministério Público Estadual de Alagoas, no início deste mês. Foi ao Núcleo que primeiramente chegou o relato dos fatos.

“Fomos comunicados a respeito dos crimes e, de imediato, demos início as investigações. O trabalho contou com o apoio do major Valle e das equipes do serviço reservado do Pelopes do 7° Batalhão da Polícia Militar. Durante duas semanas fizemos o levantamento do endereço de vítima e acusado e da realidade vivida pelo casal. Após comprovarmos a veracidade da denúncia, pedimos a expedição de um mandado de busca e apreensão ao juiz Diego Araújo Dantas, titular da 3ª Vara da comarca de Santana do Ipanema e, sensível à causa, o magistrado atendeu a nossa solicitação”, detalhou Luiz Tenório.

No último dia 15 o mandado foi cumprido no primeiro endereço descoberto pelo MPE/AL e pelo 7º BPM. Entretanto, na semana anterior, o casal mudara para o Sítio Vila Nova, zona rural de Olivença. Novas apurações tiveram início na tentativa de localizar o novo endereço, investigação que deu certo sete dias depois. Então, uma outra operação foi montada para esse sábado para prender o acusado e libertar a vítima, fato ocorrido na tarde de ontem.

“Conseguimos prendê-lo em flagrante delito. Na verdade, numa residência vizinha a que eles moravam em Olivença, nós localizamos a Maria das Graças. Ela estava apavorada porque o marido havia ateado fogo no imóvel do casal e, após o incêndio, o Rafael fugiu. Saímos a procura dele e o localizamos no endereço antigo, tentando se esconder. Ele já estava até com passagem comprada para fugir para Santa Catarina. Enfim, o trauma que aquele rapaz causou à companheira e às duas crianças talvez nunca seja reparado. Entretanto, o Cícero Rafael deverá ser punido pelos crimes que cometeu. Só em função do cárcere privado ele poderá ser condenado a oito anos de prisão”, declarou o promotor Luiz Tenório.

O acusado ficará detido na delegacia regional de Santana do Ipanema à disposição da Justiça.

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