Quem tem medo de disautonomia?

Condição tem como sintomas a tontura, taquicardia, fadiga e suor e pode levar a desfalecimento repentino

Quem tem medo de disautonomia?

As aulas de biologia nos ensinam que o corpo humano é formado por sistemas, responsáveis por executar diferentes funções nos diversos conjuntos de órgãos. Um dos mais importantes, o Sistema Nervoso Autônomo (SNA), é quem comanda a inervação das vísceras e vasos sanguíneos, ou em linguagem mais simples, a condução de impulsos nervosos de um local para outro. Mas quando alguma falha interrompe o transporte, o organismo responde de maneira descomunal, podendo acarretar, entre outras disfunções, a perda dos sentidos.

Essa é o principal sintoma que caracteriza a Disautonomia, condição prevalente em mulheres jovens (de 15 a 25 anos), e idosos. No entanto, qualquer um está apto a desenvolver essa doença pouco conhecida e de origem indefinida, que envolve o comprometimento das funções cardíacas e digestivas, da pressão arterial, na bexiga e em quase todas as glândulas.

“Como a etiologia não é precisa, pode estar relacionada com fatores genéticos, hereditários, virais, autoimunes ou por causas secundárias, como o diabetes, traumatismo craniano, doença de Parkinson, epilepsia, fibromialgia (dor crônica nos tendões e articulações), entre outros”, explica o neurologista do Hapvida Saúde, José Augusto Flores. Só que apenas teorias cercam essas ligações que conduzem outras doenças à Disautonomia, não existindo explicações científicas de como ou por qual razão ocorrem.

Outros fatores possíveis são desencadeados pelo estresse, como medo, dor, sustos e cansaço físico. Foi o que aconteceu com o analista de sistemas Átila Junior, de 33 anos. “Sofri com estresse pós-traumático após ser vítima de um sequestro relâmpago, onde fiquei horas na mira de um revólver. Isso aconteceu quando eu tinha 20 anos, mas só em 2005 ou 2006 é que fui perceber os indícios”, ele revela, comentando ainda que não consegue precisar o ano exato do diagnóstico devido à instabilidade na memória – também um sintoma.

         A energia para execução de tarefas começou a ficar comprometida: ao acordar, ele apresentava boa disposição, porém, poucas horas depois, o cansaço era intenso, com redução considerável do pique. O constante mal-estar e as crises de tontura o fizeram achar que estava sofrendo com labirintite, então procurou profissionais de várias especialidades, que descartaram a possibilidade, mas não fecharam qualquer diagnóstico. Ele havia desistido.

Durante check-up de rotina, o cardiologista surgiu com uma hipótese que posteriormente seria confirmada: Disautonomia, condição desconhecida por ele e que, aparentemente, muitos profissionais de medicina também não estavam familiarizados. Com a certeza, algumas adaptações tiveram de ser feitas na rotina do analista de sistemas.

“Não posso correr, pular, nem me machucar. A alimentação precisa ser regrada e absurdamente correta, para que meu sangue mantenha-se saudável, já que a quantidade de sangue na minha cabeça é reduzida. Também larguei o tabagismo”, revelou Átila, contando ainda que adicionou outras práticas ao cotidiano, visando o bem-estar. “Me exercito, então, pedalando 8 km por dia, e nos finais de semana chego até 30 km, 35 km. Dormir bem é outro dos benefícios para que eu tenha um dia mais tranquilo”, conta.

Para o paciente que desconhece ou não se cuida, a sensação é de desfalecimento. É comum sentir náuseas, tonturas, sudorese fria, palidez cutânea, taquicardia e escurecimento visual, levando a desmaios em situações avulsas. Mas o próprio Sistema Nervoso Autônomo trata de reagir, como explica o médico José Augusto Flores. “Existe uma resposta quase imediata do organismo para recompor os sinais vitais, estabelecimento a pressão arterial e a frequência cardíaca”, diz.

Mesmo assim, é necessário acompanhamento multiprofissional com cardiologista, neurologista e, a depender do caso, nutricionista. Uma investigação definirá o melhor tratamento, que é individualizado e direcionado de acordo com as causas, gravidade e sequência dos episódios.

 

Confira algumas recomendações do neurologista do Hapvida Saúde: 

– Evite permanecer em pé ou sentado por longos períodos;

– Ao despertar, não levantar bruscamente. Primeiro sente-se por alguns minutos e só depois ponha-se em pé;

– Dispense caminhadas vagarosas, como um passeio pelo shopping center;

– Alimente-se com pequenas porções mais vezes ao dia;

– Ingerir bastante líquido é sempre importante;

– Pratique exercícios aeróbicos, pois ajudam a fortalecer os tônus musculares;

– Tenha nas cintas abdominais e nas meias elásticas grandes aliados ergogênicos, ou seja, melhoram a performance e aumentam a capacidade do trabalho corporal, eliminando os sintomas da fadiga, além de ajudar o sistema linfático a drenar ácido do sangue.

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