Vasectomia e reversão: Entenda tudo sobre as cirurgias

Cirurgia, considerada um método anticonceptivo masculino, está disponível no SUS

Vasectomia e reversão: Entenda tudo sobre as cirurgias

Ter filhos hoje em dia não é uma tarefa fácil. Além das noites mal dormidas após o nascimento, as preocupações dos pais com a criança vão desde a alimentação e saúde, educação, segurança e condição financeira. Por isso, muitos casais têm utilizado cada vez mais, como meio de planejamento familiar, os métodos contraceptivos permanentes a fim de evitar a gravidez. A proteção definitiva, no entanto, só é possível através da laqueadura tubária, nas mulheres, ou da vasectomia, nos homens. 

Segundo o andrologista Filipe Tenório, do Hospital Santa Joana Recife, a vasectomia é o método mais indicado para os casais que não querem ter mais filhos. “O procedimento é bem mais simples e eficaz que a laqueadura. Na laqueadura, o médico precisa abrir a barriga da mulher. É uma cirurgia demorada e mais complicada tanto durante, quanto no pós-operatório”, explica. 

No Brasil, qualquer homem com idade superior a 25 anos ou com dois filhos pode submeter-se à vasectomia. A operação é bem simples. O médico faz uma pequena incisão na bolsa escrotal para localizar os ductos deferentes, por onde passam os espermatozoides. Eles são cortados e amarrados para interromper a passagem dos espermatozoides para o líquido ejaculado. “A cirurgia é realizada com anestesia local e dura em média 20 minutos. O paciente tem alta no mesmo dia e de três a sete dias depois já pode voltar ao trabalho”, comenta Tenório. 

De acordo com o urologista Guilherme Maia, do Hospital Santa Joana Recife, a técnica mais avançada disponível para a vasectomia é a “No-Scalpel”, realizada sem a utilização de bisturi, com o auxílio de uma pinça. “Esse é o método ‘padrão ouro’ recomendado pela Associação Americana de Urologia porque, graças a sua intervenção minimamente invasiva, ele causa menos sangramento, reduz dores e hematomas, e possibilita uma recuperação mais rápida”, afirma. “É o procedimento mais eficaz que temos hoje, com alto índice de satisfação”, revela Maia. Também é importante destacar que a cirurgia não interfere na potência, libido ou na ejaculação. 

A única ressalva é quanto à proteção no período pós-operatório. O casal deve usar algum método contraceptivo ao reiniciar as relações sexuais porque alguns espermatozoides podem permanecer vivos no canal que chega ao pênis. “O ideal é que após 15 a 30 relações ou 2 a 3 meses o homem faça um espermograma para constatar o sucesso da cirurgia”, ressalta Tenório. Somente após esse exame, e se o médico liberar, é que o casal poderá ter relações sem o uso de outro anticoncepcional. Vale lembrar que a vasectomia não protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, o uso do preservativo masculino ou feminino é fundamental. 

REVERSÃO – Segundo o urologista Filipe Tenório, o processo é um pouco mais complicado que a vasectomia. É que como os ductos deferentes são muito pequenos, o procedimento precisa ser realizado através de uma microcirurgia, que utiliza um microscópio para ampliar a visualização da área. “A intervenção dura em média 3 horas. Nela, o médico faz uma reconexão dos canais deferentes, que antes estavam cortados. Para se ter uma ideia, a linha utilizada para a sutura é mais fino que um fio de cabelo”, revela Tenório. Ainda de acordo com o médico, não existe tempo limite para a reversão, mas os melhores resultados são obtidos quando ela é feita até 10 anos depois da vasectomia. Ele explica que após esse período, as chances de sucesso reduzem de 90% para 70%. “Essa redução ocorre porque com o tempo, o corpo desenvolve um processo de fibrose criando obstruções na área abaixo de onde foi feito o rompimento do canal. Nesses casos é preciso fazer uma conexão fora da área obstruída”, afirma. “Além do índice de êxito ser altíssimo, a reversão permite ter, de maneira natural, um ou mais filhos”, ressalta o urologista. 

Apesar de ser um procedimento minucioso, o pós-operatório da vasovasostomia é considerado tranquilo. Após a cirurgia, o paciente tem alta no mesmo dia ou no dia seguinte e a recuperação em casa dura cerca de 10 dias. A única ressalva é que ele deve evitar ejacular ou ter relações sexuais por pelo menos 30 dias, para que ocorra a cicatrização completa. “Depois desse período, o homem deve ir ao médico para fazer um espermograma e avaliar a quantidade e qualidade dos espermatozoides produzidos no sêmen”, finaliza Tenório.

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