Wesley Safadão: “Sou safado na medida certa”

O cantor cearense está em alta como um dos artistas mais bem pagos do Brasil e conversou com QUEM sobre o sucesso estrondoso, como lida com a agenda lotada e revela se tem um lado romântico

Wesley Safadão: “Sou safado na medida certa”

Wesley Safadão chegou aos 27 anos cheio de surpresas: viu sua música difundir pelo Brasil inteiro após apresentar-se no Carnaval de Salvador neste ano, virou sensação na Internet e, é claro, nos palcos, o que resultou em uma maratona de 25 shows por mês. Acha pouco? Só a equipe do artista conta com 200 pessoas e, atualmente, ele é considerado um dos cantores mais bem pagos do País.

Casado com Thyane Dias, e pai de Yudhy, de 5 anos, e Ysis, 1, ele tenta manter as raízes. Afinal, o sucesso não veio de uma hora para a outra e o cearense carrega consigo mais de dez anos de estrada. Reservado quando o assunto é vida pessoal e dinheiro, Wesley deixa claro que o importante é subir no palco e sentir a adrenalina. “Tenho muita dificuldade para responder isso. Faço questão de fazer o meu trabalho, voltar para a casa e ver minha família.”

Ao receber a reportagem de QUEM em um hotel, em São Paulo, onde se apresentaria no mesmo dia, o cantor demonstrou exatamente isso: que precisa trabalhar em um clima familiar para aguentar o ritmo frenético. Entre uma resposta e outra, Safadão dá um jeito de fazer alguma piada e se divertir. Esse clima de descontração é comum em casa, também, ele garante.

E quem acompanha a carreira do rapaz sabe que ele dá as melhores festas. Não é à toa que as comemorações de aniversário dos filhos foram eventos hiperbólicos e bastante comentados nas redes sociais. “O que um pai não faz, né?”, brinca ele.

Uma de suas marcas registradas, o cabelo, também virou assunto. No entanto, Wesley não é tão apegado aos fios lisos e longos – o que garantiram a ele o título de Sansão da música. “Pretendo cortar em breve. Tenho certeza que vai ser bastante comentado.”

Durante a entrevista, ele ainda falou sobre o DVD gravado em Brasília, que deve ser lançado ainda em dezembro, sobre como concilia trabalho e família, promete incendiar os blocos durante o Carnaval em Salvador, e entrega se é “safadão” apenas no nome. Veja a entrevista na íntegra abaixo:

QUEM: Como é deixar de ser um artista regional e conseguir um reconhecimento nacional?
WESLEY SAFADÃO: Estou recebendo tudo isso como um grande presente. Não imaginava. O forró, muito embora seja respeitado no Brasil, não tinha tanta popularidade. O que acontecia é que o Norte e Nordeste recebiam muito bem. Até viajávamos para São Paulo ou Rio, mas não íamos a outros lugares do Sul e Sudeste, por exemplo.

QUEM: Mas o Sudeste é uma região que concentra muito nordestino, por exemplo. Você acredita que, fora esses ouvintes, um público diferente começou a se interessar?
WS: Em 2016, 60% dos shows que temos marcados são na região. É um desafio. São muitos locais que tocaremos pela primeira vez. Então acredito que nossa música está chegando de uma forma bem legal para as pessoas.
O público, inclusive, não está só conhecendo uma música, mas o show inteiro. As pessoas cantam, se divertem, e eu fico impressionado porque fazemos apresentações de forma alegre e sempre transmitindo energia positiva para elas. Graças a Deus está dando certo.

QUEM: Quando você percebeu que o sucesso começou a ficar grandioso?
WS: Acho que no Carnaval de Salvador. No último show que fizemos, tive um estalo. Até porque a festa reúne pessoas do Brasil todo. A procura do público foi muito grande, não era apenas no Nordeste, mas também no Rio, Goiânia, Brasília e outras partes do País.
Via as pessoas e perguntava: “o que está acontecendo?”. Depois do Carnaval pensei: “cara, a coisa está bem legal”.

QUEM: E os shows começaram a lotar ainda mais…
WS: Começamos a participar de outros eventos que não fazíamos. Lançamos uma festa e vendeu tudo em uma semana. Tivemos de abrir mais uma semana. Foi aí que tivemos a ideia do local para gravarmos o DVD, em Brasília. Aconteceram muitas coisas no ano de 2015, mas o legal disso tudo é que temos muitos anos de estrada. É muito tempo de preparo.

QUEM: São quantos anos de estrada?
WS: 15 anos. Desde quando fundamos a banda Garota Safada. O Wesley você reduz para 12, que foi a primeira vez que cantei. A banda passou por diversos processos, mas no total são 15 anos.

QUEM: Você sempre achou que cantava bem?
WS: Foram muitas etapas. Acredito que em 2007 eu tenha dado um start dizendo: “cara, era isso mesmo”. Percebi que precisava melhorar algo aqui e ali e comecei a tomar cuidado não apenas com a parte vocal, mas com tudo que envolve ser artista. Foi bem importante e me ajuda hoje em dia.

QUEM: No DVD, você convidou Jorge, da dupla com Mateus, para participar. Como foi escolher os artistas?
WS: Eu queria Ivete Sangalo e o Jorge. Por ter gravado em um sábado, os artistas estão sempre trabalhando. A Ivete não conseguiu, mas nós gravamos um clipe e colocamos como faixa bônus do DVD. Já o Jorge estava programado. Então ele participou.

QUEM: Como surgiu a ideia de colocar o Safadão no nome?
WS: Por causa da banda Garota Safada. Depois começamos a pensar em mudar para o meu nome. Então fizemos o processo de dois anos de pesquisa e fomos mudando. Foi uma análise de mercado e seria melhor usar o meu nome, assim como Luan Santana, Ivete Sangalo…

QUEM: E o Carnaval de 2016, você volta pra se apresentar na folia?
WS: Sim. Temos shows no Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Salvador – com quatro shows. Além de dois em Minas Gerais.

QUEM: Com tantos shows, como você faz para ter pique e aguentar a correria do dia a dia?
WS: É muito puxado, principalmente durante o Carnaval, que você começa um show às 15h e termina no outro dia às 6h, para depois voltar às 15h novamente. Eu praticamente não durmo. Geralmente como, canto e cochilo. É mais ou menos isso! São cinco ou seis dias de muito trabalho. Mas depois pego uns 15 dias para descansar.

QUEM: A gente sabe que o ritmo frenético acontece fora da época do Carnaval também. Existe algum momento em que você pensa: 'hoje não!'?
WS:  Sempre tenho conversas com meu empresário, que vai me passando o que acontece, em relação a shows ou aparições, e me pergunta se eu quero ou não. Na maioria das vezes digo que quero. Principalmente agora, por surgirem oportunidades de shows em lugares que eram grandes desafios para mim. Quero mostrar o nosso trabalho e fazer acontecer.
O palco é muito mágico nessa questão, porque você sente o cansaço até um minuto antes de começar. Depois que dá o início é coisa de Deus. É inexplicável.  

QUEM: Com a evidência vem o assédio. Como você lida?
WS: Trato da forma mais natural possível. A questão do assédio dos fãs é muito legal. Às vezes você vai ao hotel, ao aeroporto, e está cheio de gente. Mas nunca deixei de fazer nada por causa da fama ou deles. Se eu quero ir ao cinema, eu vou. Se é para ir ao shopping, também.

QUEM: Mas você consegue?
WS: Normalmente não (risos). Mas tenho de buscar um lugar mais reservado e uma hora melhor. No entanto, algumas vezes fica inevitável. É só ter jeito e pedir: “galera, podemos curtir o filme e fazer depois?”. Até porque se não quero foto, não saio de casa. É dessa forma que penso.

QUEM: Sua aparência também é algo que chama muita atenção. Até pelo cabelo grande que é uma marca registrada. Quando você decidiu deixar crescer?
WS: Desde criança tive o cabelo grande. Começou um com uma promessa que minha mãe fez e que eu paguei. Com três anos de idade fui internado três vezes com pneumonia. O estado era grave, para morrer mesmo, e uma senhora na fila do hospital chegou para minha mãe e falou: “vai até Canindé – uma cidade de romeiros e bem católica no Ceará – e faça uma promessa, um remédio com plantas e dê três vezes ao dia”. Tomei e me curei.
A promessa era de deixar o cabelo crescer. Quando chegasse aos ombros, cortaria. Cortei, mas deixei crescer de novo e quando comecei a cantar ele já era comprido.

QUEM: Você pensa em cortar?
WS: As pessoas, às vezes, fazem um alvoroço em relação a isso, até mais que eu. Acho natural estar com o cabelo baixinho. Isso para mim é normal e as pessoas falam: “olha o Sansão. Se cortar perde…”. Me imagino cortando brevemente, mas não estou planejando nada agora. Tenho certeza que vai ser bastante comentado. Então deixa as pessoas me conhecerem mais, para depois fazer o corte.

QUEM: Você estava falando antes da entrevista que se considera desleixado. Como são os seus cuidados com a aparência?
WS: Não gosto de academia. No máximo passo na frente, mas não entro. O treino físico que faço é correr no futebol.

QUEM: E a alimentação?
WS: Como de tudo um pouco. De besteira a verduras. Como o que estou com vontade e na quantidade que quero. Sou um pouco desleixado mesmo em relação à aparência. Não deixo de comer algo porque engorda.

QUEM: Como é o Wesley em casa?
WS: Se tenho dois ou três dias em casa, passo o dia inteiro no escritório, praticamente. À noite jogo futebol e fico com a família.

QUEM: Você trabalha nas folgas?
WS: Gosto de me envolver em tudo que compete ao meu trabalho, em relação à estrutura, a shows. Gosto de ficar ciente do que estou fazendo e saber se a divulgação está indo bem, qual rádio toca a minha música. Então como durante o dia os meninos estão na escola e a minha mulher trabalha, dedico a noite a eles.

QUEM: Sobre conciliar o trabalho e a família, como tenta compensar?
WS: Meu filho Yudhy gosta muito de festa. Então recentemente fiz uma à fantasia com a temática de super-herói e me vesti de Homem de Ferro. O que um pai não faz, né? Quase passei mal naquela máscara. Você não tem noção de como aquilo é quente. Enfim, foi legal. Gosto de fazer as coisas pelos meus filhos.

QUEM: Atualmente, você é considerado o cantor mais bem pago do Brasil. Como faz para manter os pés no chão?
WS: 2015 foi um ano maravilhoso e 2016 é promissor, mas não me vejo da forma que me enxergam. Acho que não virei famoso ainda. Vejo alguns artistas, que viraram estrelas, mas o Safadão não é. Quero ver o nosso trabalho reconhecido. Tenho muita dificuldade para responder isso. Faço questão de fazer o meu trabalho, voltar para a casa e ver minha família.

QUEM: E carreira internacional?
WS: A nossa primeira turnê fora do País será no final de fevereiro do ano que vem, quando viajaremos para os Estados Unidos e faremos shows em Newark, Atlanta e Boston. Também pretendemos fazer algo pela Europa.

QUEM: E quem são seus ídolos?
WS: Não sou uma pessoa de muitos ídolos. Tenho admirações por artistas que conseguiram construir histórias bonitas. Por que a Ivete Sangalo conseguiu ter uma história de sucesso e respeito? Jorge e Mateus também. Então sempre que converso com eles é um aprendizado.
Um Roberto Carlos da vida, por exemplo. Até dois anos atrás nunca imaginei que seria possível cantar com ele. Mas hoje sonho com isso. Não sei se está perto, mas quem sabe um dia, talvez, sei lá?

QUEM: Mas, e aí? Você se considera uma pessoa mais safada ou romântica?
WS: Romântico na hora certa e safado na medida certa (risos).

 

 

 


Publicidade

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Publicidade