Animais do Parque de Dois Irmãos estão sentindo falta do público nesse período de quarentena

Segundo técnicos do Parque, alguns moradores do zoológico mudaram o comportamento e estão sentindo falta dos visitantes. Mas, há também quem está aproveitando a calmaria

Assessoria de Comunicação

Animais do Parque de Dois Irmãos estão sentindo falta do público nesse período de quarentena Ursos - Fotos Lu Rocha (Semas-PE)

O Parque Estadual de Dois Irmãos, que recebe todos os anos um público de 400 mil pessoas, vive atualmente um cenário de total calmaria. É que o equipamento, administrado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), está fechado à visitação desde março por causa das ações de combate à Covid-19. Mas, será que os bichos sentiram essa diferença? Segundo a equipe técnica do Parque, alguns mudaram sim o comportamento. Há quem ande se exibindo mais devido à tranquilidade e até quem esteja sentindo falta daquela agitação.

Ao todo, o parque tem um plantel com 466 animais. São aves, répteis e mamíferos nativos e exóticos, de 97 espécies diferentes. Embora não haja visitação, a equipe de profissionais – formada por biólogos, médicos veterinários, tratadores e zootecnistas – continua cuidando e acompanhando de perto cada morador do zoológico. E os técnicos observaram que alguns animais andam sentindo muita falta dos visitantes, mostrando-se um pouco entediados com tanta monotonia. Entre eles estão a onça pintada, o leão, os ursos, o hipopótamo e alguns primatas.

Para levantar o ânimo desses moradores, a equipe do parque adotou uma estratégia: preencher o tempo deles com atividades especiais. “Decidimos aumentar a frequência com que realizamos os enriquecimentos ambientais para esses animais que vem demonstrando um certo tédio. Uma reação que entendemos ser ocasionada pela falta do público. Os enriquecimentos são uma forma de estimular os instintos naturais dos animais e garantir mais conforto”, detalha o gestor técnico do Parque e veterinário, Márcio Silva.

Chimpanzé – Foto Lu Rocha – (Semas PE)

Os enriquecimentos são ações ou atividades realizadas dentro dos recintos, com o objetivo de estimular os sentidos dos animais, fazer um ambiente dinâmico e interativo, que além de promover bem-estar ao animal, também ofereça desafio, assim como seria na natureza. Eles podem ser de cinco tipos: alimentar, sensorial, cognitivo, físico e social. É sempre aplicado de acordo com o hábito e comportamento natural de cada espécie. Por exemplo, pequenos felinos, como os gatos-mourisco e a jaguatirica, adoram quando a equipe espalha pó de canela pelo recinto, ou esconde pedaços de carne, realizando um enriquecimento sensorial. Neste caso, o cheiro diferente no ambiente estimula o animal a procurar e se exercitar.

E se por um lado alguns estão sentindo falta do público, há outros animais que estão aproveitando a calmaria. É que outros quatro moradores do zoo agora passam mais tempo na área aberta dos recintos. Márcio Silva revela que fazem parte dessa turma o Chimpanzé, duas Raposas e a Harpia. “Alguns visitantes faziam muito barulho e esses animais acabavam indo para a área reservada do recinto. Agora eles se sentem mais confortáveis e até exploram melhor o espaço. O chimpanzé, por exemplo, fica mais na área de exposição. Já as raposas estão usando partes do recinto que antes ignoravam”, conta.

Cuidados – Durante esse período de quarentena, a Semas implantou um protocolo de biossegurança no Parque de Dois Irmãos. As medidas, adotadas desde março, se refletiram no reforço da limpeza dos prédios (administrativos e veterinários), maior cuidado na preparação dos alimentos e no momento de manuseio dos animais, seja este para fins veterinários, de condicionamento ou de enriquecimento alimentar e ambiental. Além disso, foram implantadas escalas especiais de trabalho para evitar a exposição dos profissionais a aglomerações nos transportes públicos e em ambientes fechados dentro do próprio parque. Ainda não há data prevista para a reabertura do Parque ao público.

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