‘Antropofágico miscigenado’ é manifesto de música alagoana

Happy hour estreia na terça-feira (10), no saguão do teatro Deodoro, apresentando num formato semiacústico a produção dos artistas locais

‘Antropofágico miscigenado’ é manifesto de música alagoana

Estreia na próxima terça-feira (10), no saguão do teatro Deodoro, no centro da capital, a happy hour “Antropofágico miscigenado”. O projeto idealizado pelos músicos Edi Ribeiro e Sebage, ocorrerá semanalmente, sempre às terças-feiras, no horário das 17h30, com apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal) – que cedeu o espaço do saguão do teatro para as apresentações musicais – e do Café da Linda, responsável por um cardápio popular de petiscos e drinques. 

“O conceito desse nosso movimento, na realidade, foi esboçado num processo de maturação de ideias”, explica o guitarrista, cantor e compositor Edi Ribeiro, “Durante um bom tempo me vi e me senti inquieto com nossa cena musical. Realmente temos sim grandes figuras potencializadas para se expandir para o mundo, mas o que impede que isso aconteça? Como nos tornarmos fortes para que nosso sotaque ‘alagoanês’ se torne cada vez mais fortalecido? Entendi que necessitamos desenvolver uma ideia de movimento musical… Foi assim que surgiu o que já estava encrustado, rondando na mente e que eu sabia, inconscientemente, e não encontrava a forma de traduzir.” 

Ribeiro conta que, “num bate-papo descontraído com o amigo Sebage”, desenvolveu finalmente o que eles batizaram de “movimento Antropofágico miscigenado”. “Esse nome se encaixou perfeitamente porque, além da ideia que temos do Manifesto Antropofágico – que propõe assimilar o outro, digerindo-o com um sotaque próprio –, pensei também, justamente, nesse ato antropofágico de nos darmos em relação a nós mesmos enquanto artistas alagoanos, buscando nos conhecermos de fato, consumindo-nos mutualmente num sentido artístico-musical.” 

Eduardo Silva, guitarrista e compositor da banda Efeito Moral – convidado para a primeira edição da happy hour na próxima terça – diz que o músico alagoano produz “boa música”, mas não sabe gerenciar a própria carreira. “O alcance ao grande público”, diz ele “depende, basicamente, de duas coisas: primeiro, cabeça no lugar, e, segundo, investimento correto.” 

Para Silva, “o primeiro pilar está voltado ao gerenciamento da carreira e ao foco do artista”. “Já o segundo”, afirma, “está ligado ao dinheiro. No mundo dos negócios, ninguém vai investir em você porque sua música é boa, mas sim porque você trará retorno. Se você tiver como investir em si mesmo, ótimo, mas uma hora, se a teimosia persistir, a fonte seca.” 

São essas e outras questões envolvidas no processo de criação musical e de compartilhamento da produção local que estão sendo colocadas nesse, por assim dizer, Movimento Antropofágico Miscigenado. Para a estreia do projeto, participam, além de Eduardo Silva, o parceiro dele na banda Efeito Moral, o cantor e compositor Dias (na verdade, o rapper Vitor Pirralho, que assume aqui o nome de família para diferenciar esse trabalho com Silva daquele que desenvolve já há alguns anos com o grupo de hip hop U.N.I.D.A.D.E.). Foram convidados, também, para canjas musicais, o cantor e compositor Fred Hollanda e o guitarrista Thiago Barros, ambos da banda de blues-rock Barba de Gato. 

Um terceiro pilar desse tripé de gerenciamento de uma carreira musical mencionado por Eduardo Silva é “a parceria entre os artistas”. “Eu vejo grupos que fazem eventos juntos, mas é algo que fica somente naquilo”, questiona. “Aí a ideia da ‘panelinha’ surge. Talvez o que nos trave seja o individualismo.” 

Edi Ribeiro propõe, afinal, uma saída. “Por que não tocamos e cantamos as músicas de nossos colegas, independentemente do estilo ou gênero de cada um? Nós temos o rock, temos o regional, o hip-hop… E não nos exploramos como deveríamos. Percebo que agora é mais do que a hora de, também, termos um gesto antropofágico aqui entre nós. Assim, esqueçamos as diferenças e devoremo-nos uns aos outros.” 

ANTROPOFÁGICO MISCIGENADO – Happy hour conduzido pelos músicos Edi Ribeiro e Sebage. Estreia terça-feira (10), às 17h30, no saguão do teatro Deodoro. Músicos convidados: Vitor Pirralho, Eduardo Silva, Fred Hollanda e Thiago Barros. Couvert: R$ 4.

TEATRO DEODORO – Rua Barão de Maceió, 375, Centro. Telefone: (82) 3315 5665. 

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