De goiabada a ketchup: fábricas de alimentos expandem produção no Agreste Alagoano

Ketchup, extrato e outras versões de molho de tomate, goiabada, bananada, doce de leite, paçoca, pé-de-moleque, biscoitos, pipoca, salgadinhos de milho, vinagre, maionese, molho de pimenta, molho shoyu, molho inglês, milho e azeitona em conserva..

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De goiabada a ketchup: fábricas de alimentos expandem produção no Agreste Alagoano

Quem passa de automóvel pela AL-220 em direção a Arapiraca e outras cidades do Agreste dificilmente pode imaginar a diversidade de produtos que saem dos muros brancos com discreta sinalização de indústrias locais cujas marcas ultrapassaram a divisa de Alagoas para invadir mercados vizinhos do Nordeste. Esse é o caso, por exemplo, da Popular Alimentos, uma das pioneiras na região que nasceu há mais de 40 anos de uma fábrica caseira de quebra-queixos e cocadas em Arapiraca e hoje emprega mais de 500 pessoas (mais do que o dobro do que foi anunciado pela Bauducco em Rio Largo, para efeito de comparação) na produção de uma linha de cerca de cem produtos de doces, salgados, molhos e pipocas embalados com as marcas Popular, Betti e Popcrock. Nos últimos anos, o crescimento da fábrica fez com que ela fosse obrigada a sair da zona urbana de Arapiraca em busca de mais espaço no distrito industrial de Limoeiro de Anadia, onde ocupa uma área de mais de 45 mil metros quadrados. Os galpões da Popular processam semanalmente cerca de 60 toneladas de goiaba, 25 toneladas de banana, 10 toneladas de amendoim e mais de 100 toneladas de açúcar. Como Alagoas, contudo, não tem uma agricultura diversificada, quase toda a matéria-prima da fábrica, com exceção do açúcar, vem de outros Estados do Nordeste. “O crescimento das indústrias de alimentos no Agreste é uma oportunidade para o investimento na fruticultura no estado, inclusive no Sertão”, diz Hibernon Cavalcante, superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Agricultura do Estado, que usa como exemplo a expansão da produção de frutas em cidades do sertão pernambucano próximas do São Francisco como Petrolândia, a 79 quilômetros de Delmiro Gouveia. E foi exatamente ao lado do prefeito de Delmiro, Padre Eraldo, e secretários municipais da cidade do sertão, que o superintendente organizou semana passada uma visita técnica às fábricas de alimentos no Agreste Alagoano.

Em Arapiraca, outra fábrica de alimentos que chama atenção pelo crescimento acelerado é a Hada, pertencente ao grupo atacadista Asa Branca. Em apenas oito anos, a fábrica, inicialmente focada na produção de doces de goiaba, expandiu sua produção para derivados de tomate como catchup e outros molhos (barbecue, pizza, bolonhesa, manjericão) distribuídos pelas marcas Hada e Julieta. Apesar de a fábrica ainda não representar sequer 5% do grupo Asa Branca, a indústria já cresceu quase 20% ano passado e tem como meta dobrar o faturamento nos próximos três anos. Para isso, estima-se que o grupo tenha investido mais de R$ 20 milhões em máquinas e equipamentos modernos para lançar novas linhas de produtos, incluindo ervilha em conserva e outros tipos de doces. A Hada também faz parcerias com as universidades locais para o desenvolvimento de novos produtos em parceria com plantadores locais. “É claro que, para nós, seria mais vantajoso que boa parte das frutas e do milho processado na fábrica fosse produzida em Alagoas”, diz Álvaro Filho, diretor-administrativo do grupo Asa Branca. “Por isso mesmo, desenvolvemos parcerias para estimular fornecedores da região a produzir parte da matéria-prima que usamos”. Questionado sobre os fatores mais importantes que tornaram Arapiraca e cidades do entorno um centro de indústrias na área de alimentação e outros setores, Álvaro lembrou que, mais do que a localização privilegiada, a crise do fumo foi provavelmente o gatilho que obrigou empreendedores locais a abrirem novas frentes de empreendimento. Resta saber se a crise (ao que tudo indica irreversível) do setor sucroalcooleiro em Alagoas poderá, quem sabe, produzir frutos semelhantes.

por Rodrigo Cavalcante

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