Imprensa Oficial Graciliano Ramos lança obra com haikais de Jô Saulo

Autor alagoano lança mão de gênero poético japonês, popularizado no Brasil por Paulo Leminski e Millôr Fernandes, para expressar ideias e sentimentos. Noite de autógrafos do livro Qualquer curva que me leve sem a sua linha será realizada neste sábado (07/10), às 20h, no estande da editora na Bienal do Livro de Alagoas

Imprensa Oficial Graciliano Ramos

Imprensa Oficial Graciliano Ramos lança obra com haikais de Jô Saulo

A Imprensa Oficial Graciliano Ramos lança neste sábado (07/10), às 20h, o livro Qualquer curva que me leve sem a sua linha reta, do professor de Literatura Jô Saulo. A obra traz uma série de reflexões e ironias em poemas no estilo haikai – gênero poético de origem japonesa, popularizado no Brasil por Paulo Leminski e Millôr Fernandes.

De leitura rápida e provocativa, Qualquer curva que me leve sem a sua linha reta reflete um pouco da alma boêmia e bem-humorada do artista Jô Saulo que também é professor de Literatura. O livro, selecionado pelo edital de Obras Literárias 2017 da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, é o primeiro solo de sua carreira, já que parte de sua produção literária foi publicada em algumas antologias e coletâneas.

“Não sei bem dizer de onde surgiu a inspiração para o meu livro, mas creio que é um misto de intimismo com a presença do cotidiano, do que ouço, vejo e muitas vezes até do que invento mesmo sem querer inventar”, afirma Jô Saulo, descrevendo seu livro.

Segundo o escritor, a arte sempre fez parte de sua personalidade. Leitor voraz desde a infância, foi a partir da música e das primeiras composições que passou a escrever. “Meus primeiros versos foram feitos em forma de composição, coisa que ainda faço, mas separo bem ultimamente a música da poesia – o que foi muito difícil no início, talvez por inexperiência”.

Apaixonado pela literatura do século 19, Jô Saulo se diz admirador da obra de Balzac, Victor Hugo, Byron, Baudelaire e Alvares de Azevedo. “Aprecio também os modernistas brasileiros como Oswald e Mário de Andrade, Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Demorei um pouco a aceitar literatura contemporânea, porém hoje tenho grande prazer em ler Arnaldo Antunes que, na minha opinião, é o nome mais completo da literatura atual quando se fala em poesia. Além disso, alguns alagoanos andam chamando muito a minha atenção, como Natália Agra e Lisley Nogueira. Ambas têm uma pegada forte e uma poética inesperada em suas construções”, diz.

Jô Saulo revela que vem trabalhando em três novos livros atualmente: um romance, outro de contos e mais um de poesia. “Meu próximo livro de poesias será diferente de Qualquer curva que me leve sem a sua linha reta. Deve ser mais introspectivo e sentimental, mas ainda não resolvi o que vou fazer com ele”, desconversa.

Na opinião dele, em um mundo com cada vez menos leitores, o grande desafio do escritor é o de conquistar novos adeptos à literatura. “Vivemos numa sociedade na qual as redes sociais geraram um emburrecimento cultural gigantesco. Um mundo onde todos são críticos de tudo, mas no qual poucos entendem do que estão falando. A própria arte vive um momento complicado, no qual se aceita basicamente tudo como arte, se assim o seu criador quiser chamar”, provoca.

Para Jô Saulo é necessário gerar uma consciência de que a arte é uma forma subjetiva de expressão, mas que não deve ser banalizada. “Algumas vezes sou chamado de elitista por defender uma arte com significado e por não aceitar uma cadeira pintada de vermelho, ou um quadro com um ponto preto no centro como algo incrível. O Dadaísmo teve seu motivo de existir e mesmo assim a arte ‘sem lógica’ e de reaproveitamento dos dadás, de meados dos anos 10, do século passado, fazem muito mais sentido, ou fazem sentido de fato, pois não eram banalizadas. Cabe ao escritor atual e aos artistas de uma forma geral, acabar com essa banalização e vulgarização promovida por uma certa pseudo-intelectualidade, estabelecendo o senso crítico no seio da sociedade”, argumenta.

 

Confira alguns haikais de Jô Saulo:

N° 1

Já te esqueci

nunca é demais

lembrar

N° 5

A morte

não recria

caráter

N° 10

Não dá pra roubar

o que é de graça

o amor tem seu preço

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