Jovens de AL acumulam conquistas em olimpíadas de física e matemática

Mais de 150 estudantes do Ifal têm premiações nacionais e internacionais. Junto com professores, eles dão dicas de como ter êxito nas competições.

Jovens de AL acumulam conquistas em olimpíadas de física e matemática

A dedicação aos estudos é uma rotina na vida de muitos estudantes. Mas nem sempre isso é sinônimo de sucesso em provas. Aliar o estudo a uma metodologia adequada é o que tem feito com que alunos do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) tenham êxito em olimpíadas de conhecimento nas áreas de física e matemática.

Eles participam do Programa Independente de Matemática Integrada (PIMI), do Ifal, e acreditam na importância do estudo para conseguir uma vida melhor. Desde que o programa começou, foram mais de 150 alunos que conquistaram premiações nacionais e internacionais.

“Eu comecei a estudar quando ganhei a minha primeira medalha e percebi que tinha potencial. Pensei que se estudasse um pouco mais, poderia ganhar outras e aí depois que entrei no Ifal fui aumentando o estudo e conhecendo outras olimpíadas”, contou o estudante Igor Fortes, 16.

Fortes disse que o grupo de alunos do projeto o ajuda muito a ter êxito em provas e olimpíadas. “Durante a semana eu estudo por volta de oito horas e à tarde estudo com meus amigos para vestibulares de institutos tecnológicos renomados. É muito gratificante ter um grupo que nos incentiva nos estudos e nos ajuda também”, falou.

Igor Fortes fala sobre rotina de estudos (Foto: Carolina Sanches/G1)
(Foto: Carolina Sanches/G1)

Quem também participa do grupo é a estudante Geilma Melo, 18. Apesar de ainda não ter participado de uma olimpíada, ela diz que tem muito estímulo quando vê o exemplo dos colegas de turma.

“Pra mim, o estudo é o melhor meio de ter um bom futuro. Isso é muito natural na minha vida. Gosto de estudar, principalmente da área de exatas. Muitas vezes fico estudando e nem percebo que já é tarde da noite. Meus pais têm que me pedir para parar [de estudar] e ir dormir”, conta a aluna.

Além de se reunir para estudar, os alunos fazem um projeto de extensão para ministrar aulas em comunidades na periferia de Maceió. “O trabalho na comunidade e muito importante para ajudar as crianças a terem o gosto pelo estudo logo cedo. Para nós, isso é muito gratificante”, disse Gabriel Araújo, 16.

Recentemente, alguns dos alunos que se destacaram na edição 2014 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) tiveram sua conquista reconhecida pelo Governo de Alagoas e Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em uma solenidade de premiação, no Palácio República dos Palmares.

Professores estimulam potencial dos alunos
E é de uma forma encorajadora que os professores conseguem, através das metodologias de ensino, transformar a vida dos jovens que se dedicam à rotina de estudos. O professor Carlos Argolo Alves é doutor em física e leciona há 35 anos no Ifal. Ele já se aposentou, mas continua trabalhando.

Professor Argolo e seus alunos (Foto: Carolina Sanches/G1)
Professor Argolo e seus alunos (Foto: Carolina Sanches/G1)

“O trabalho com as olimpíadas começou depois que eu voltei do doutorado nos Estados Unidos. Aí os alunos que queriam ir para a pesquisa, para publicações em revistas iam, outros iam para a área da extensão e outros para as olimpíadas. Mas alguns atuam em mais de uma área”, explicou o professor.

Alves disse que não existe segredo em ter uma turma de sucesso, mas sim um trabalho que une o estudo e o incentivo ao aluno. “Você tem que ter um talento para fazer isso, mas acima de tudo acreditar que é possível. Eu acredito neles e quando eu vejo um aluno de Alagoas indo a uma olimpíada internacional, onde poucos estudantes do país são selecionados, ou ganhando troféus em olimpíadas de foguete, eu vejo que é possível”, disse.

O professor Valdir Soares Costa também acredita que o educador tem um compromisso com o aluno. Para ele, educar é também participar de uma mudança da realidade existente, que depende também de cada indivíduo. Ele está há seis anos ensinando no Ifal para os alunos que participam de olimpíadas.

A diretora de relações institucionais do Ifal, Magda Zanotto, destacou que as olimpíadas têm sido um grande incentivo para os alunos procurarem a área de exatas. “O Ifal tem dado apoio nas viagens porque acredita que elas incentivam não só os alunos que viajam, mas todo o restante da turma”, disse.

O professor Alves também destacou as publicações internacionais que os alunos do Ifal têm no currículo. Ele explicou que é muito difícil que um aluno com essa graduação consiga publicar em revistas especializadas, mas que isso acontece em Alagoas.

“Eu acho que é possível fazer pesquisa com aluno do ensino médio. E hoje temos uma quantidade de publicações de artigos em revistas internacionais com alunos de ensino médio que mostram que é possível fazer um trabalho de qualidade nessa área”, disse o professor”, observou o professor.

José Monteiro mostra algumas de suas 40 medalhas (Foto: Carolina Sanches/G1)
José Monteiro mostra algumas de suas 40 medalhas (Foto: Carolina Sanches/G1)

Ex-alunos sao exemplo para os colegas
Considerado um exemplo para os estudantes do Ifal, o estudante José Monteiro de Lemos tem 20 anos, cursa Física na Universidade Federal de Alagoasx (Ufal) e se prepara para fazer mestrado e doutorado.

Desde o ensino médio, conquistou mais de 40 medalhas em olimpíadas nacionais e internacionais nas áreas de física e matemática. Premiações que renderam honrarias recebidas das mãos dos dois últimos presidentes do país.

A fórmula, segundo ele, é simples. Se dedicar aos livros, à sala de aula e estar sempre em busca de novos conhecimentos. “Durante minhas viagens eu conheci o astronauta basileiro Marcos Pontes. Foi uma experiência muito boa porque ele é um exemplo pra mim e falou coisas que me incentivaram muito”, disse.

Estudante faz doutorado em São Paulo (Foto: Carolina Sanches/G1)
(Foto: Carolina Sanches/G1)

Assim como Monteiro, o estudante Alan Anderson Pereira, 23, é ex-aluno do Ifal e um exemplo para os colegas. Atualmente, ele concilia a graduação com mestrado e doutorado.

O jovem precisou trancar o curso de graduação em matemática na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) por causa da aprovação no doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro. “Faço o mestrado e doutorado paralelamente, mas tenho que apresentar meu Trabalho de Conclusão de Curso da graduação”, exlicou.

Pereira é da cidade de União dos Palmares, na Zona da Mata alagoana e diz que sempre se interessou pela área da física e matemática, mas foi no Ifal que começou a participar das competições. Em uma delas, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ele recebeu a medalha de ouro do então presidente Luís Inácio Lula da Silva.

“Sempre tento conciliar os estudos com outras atividades. Acho que ter o foco no estudo é pensar no futuro, mas também não deixo de fazer coisas comuns do dia a dia. Sempre falo que existe vida social na matemática”, ressaltou.

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