“Bibi, uma vida em musical”: espetáculo leva ao palco do Gustavo Leite vida e obra da maior dama do teatro brasileiro

O #Notícias40Graus, a seção de jornalismo do Maceió40Graus, conversou com Amanda Acosta, atriz que carrega consigo a responsabilidade de interpretar Bibi Ferreira

Janaina Ribeiro

“Bibi, uma vida em musical”: espetáculo leva ao palco do Gustavo Leite vida e obra da maior dama do teatro brasileiro Bibi, uma vida em musical. Foto: Guga Meldar

Seu nome era Abigail Izquierdo Ferreira. Mas, se você a chamasse assim, ninguém saberia quem era. Agora, se alguém perguntasse por Bibi Ferreira, uma multidão iria identificá-la como a dama do teatro brasileiro. E para homenagear aquela mulher que, dentre os seus 96 anos de vida, passou 76 deles no palco, um grupo de atores de peso chega a Maceió no ‘Bibi, uma vida em musical’.

O espetáculo conta, em 1h40, a vida e obra de Bibi Ferreira. Fala, por exemplo, que a carreira da artista começou quando ela ainda tinha apenas 24 dias de nascida, e entrou em cena, nos braços do pai, o também ator Procópio Ferreira, para substituir uma boneca que tinha simplesmente desaparecido do teatro. O musical passeia ainda pelas principais peças encenadas por ela, pelas canções interpretadas pela sua inconfundível voz, pelos programas de TV nos quais foi apresentadora e, claro, pela história pessoal dela, como os seis casamentos e o nascimento da única filha, Thereza Cristina, fruto da união com o ator Armando Carlos Magno. O musical só termina quando chega a hora de Bibi se aposentar, meses antes de morrer, aos 96 anos, em seu apartamento, no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, seu estado natal.

#Notícias40Graus, a seção de jornalismo do Maceió40Graus, conversou com Amanda Acosta, atriz que carrega consigo a responsabilidade de interpretar Bibi Ferreira, atriz que nos deixou levando, em sua bagagem, nada mais nada menos que 27 prêmios e indicações.


1 – Bibi Ferreira foi a grande dama do teatro nacional. Ela cantava, dançava, interpretava, escrevia e produzia. Foram 76 anos trabalhando como artista. Como é para você, Amanda, subir aos palcos para fazer o papel de uma mulher que deixou tantos predicados à arte do nosso país?

Uma grande honra. Acho que é uma missão e me sinto privilegiada. Também é um desafio porque a Bibi foi e continuará sendo uma das maiores artistas do mundo, conhecida em todo o planeta. Por onde passou, arrebatou almas. Sim, porque ela fazia tudo com alma, com muito estudo, trabalho e dedicação. Estar no palco, através dela, contando a sua história, dos artistas que com ela trabalharam, suas dores e delícias, dificuldades, prazeres e conquistas é maravilhoso. Inclusive, por meio da vida artística de Bibi Ferreira, está sendo possível também contar a história do teatro brasileiro. E tantos outros gênios conviveram com ela. Sinto-me realmente honrada, e como artista e ser humano, cresço com cada vírgula, cada nota, cada gesto feito no palco porque ela tinha, exatamente, tudo o que eu acredito que um ator deve ter. E saber o quanto a Bibi era conhecida, deu-me ainda mais responsabilidade, uma vez que preciso fazer as pessoas embarcarem na sua história. É por isso que estou plena e muito feliz.

2 – Como se deu a sua escolha para fazer essa personagem? E que reação teve quando soube que foi a escolhida?

Fui convidada pelo Tadeu Aguiar. Ele falou sobre mim para as produtoras, que aceitaram o meu nome. Então, quando menos espero, eu estava no carro voltando para casa, recebi uma ligação sua. Coloquei o telefone no viva-voz e recebi o convite. Fique enlouquecida, porque sou completamente apaixonada pela Bibi. Como já disse anteriormente, ela foi tudo o que eu sempre acreditei existir numa alma de artista. Na conversa com o Tadeu, ele me falou que as produtoras gostariam de me ouvir cantando francês. E perguntou: você canta francês? Respondi: se elas quiserem, canto até japonês (risos). Como eu já conhecia um bom repertório de Piaf, voltei às pressas para casa e gravei algumas canções. O Tadeu as enviou para as produtoras, que também já conheciam meu trabalho. E foi assim que fui escolhida.

3 – O espetáculo foi escrito por Arthur Xexéu e Luanna Guimarães. O Arthur, por exemplo, já escreveu anteriormente sobre a Hebe Camargo, Cartola e Janet Clair, figuras conhecidíssimas no cenário da cultura e do entretenimento no Brasil. Como tem sido interpretar um texto dele?

Xexéu é um dos grandes dramaturgos brasileiros. Ele tem muita sensibilidade e escreve de uma forma realista, divertida. Põe também muita inteligência nos seus textos. Imagine só o que é você contar, em 2h40 minutos, 92 anos sobre a vida de alguém! E ele conseguiu fazer isso com a Luanna, de uma forna muito sábia. A forma como decidiram falar sobre os momentos de transição da Bibi,e escolher as músicas…. Ficou realmente uma obra prima.

4 – Quando a peça estreou, em 2018, a Bibi Ferreira ainda era viva e, o melhor, foi assistir o espetáculo. Conta pra gente como foi essa noite no teatro. Rolou emoção de ambas as partes, suponho eu, certo?

Foi uma noite histórica para o teatro brasileiro. Só quem esteve presente, sabe a dimensão que foi aquele momento. A última vez que a Bibi foi ao teatro foi para assistir a sua história, e ela disse que amou. Inclusive, participou do espetáculo em dois momentos. E antes desse dia, sabendo que a Bibi estaria na plateia, passei uma semana com um frio na barriga, trabalhando essa emoção, que de nada adiantou (risos). Quando ela chegou, eu estava me aquecendo no camarim. O Tadeu me chamou e ai, claro, bateu o nervosismo. Mas ainda bem que foi tudo lindo. Somos um grupo muito unido e que trabalha com amor em prol dessa história tão inspiradora. No final do segundo ato, o ator que interpreta o Procópio chegou para a Bibi e falou: “você se tornou a maior estrela do país”. E ela respondeu, de onde estava senrada: “muito obrigada”. Começamos a chorar, e a peça foi encerrada.

5 – E quando ela nos deixou, em fevereiro deste ano, vítima de uma parada cardíaca, passou a ter um sentido diferente pra você, interpretá-la? Algo mudou?

O que mudou é que ela não está mais aqui mais fisicamente, e nós sentimos falta da sua presença. Porém, a ausência da Bibi entre nós só fez crescer ainda mais a vontade de contar a história dessa divina artista para o Brasil inteiro. Queremos eternizá-la nesse espetáculo. Aliás, ela já é eterna por meio de tudo o que nos deixou com o seu ofício. Além do mais, as almas que foram tocadas pela sua arte nunca vão esquecê-la. Bibi sempre estará viva através da sua arte, sua voz, sua luz.

6 – A peça traz, dentro do seu roteiro, musicais famosos dos quais Bibi foi a estrela principal. É mais difícil quando a montagem envolve pequenos espetáculos dentro do espetáculo maior? Refiro-me, por exemplo, a ‘Gota d’Água’, de Paulo Pontes e Chico Buarque, e ‘Piaf, a vida de uma estrela da canção’.

É desafiador. É um trabalho que envolve muita pesquisa, muito estudo. Até porque a gente muda de físico, de timbres. Interpretar as suas personagens nas peças das quais ela foi atriz, é encenar duas vezes ao mesmo tempo. Mas, o que tento fazer sempre é capitar a energia que a Bibi possuía.

7 – A Bibi sempre teve fãs em todos os lugares do país. Em Alagoas, não seria diferente. O que o público pode esperar de vocês?

O que posso dizer é que o público vai esquecer que está no teatro e embarcará na história de Bibi Ferreira. Irá conhecer muitas curiosidades da sua vida artística e pessoal e relembrar artistas de sucesso dos palcos brasileiros. A gente também conta detalhes da Bibi que fazem as pessoas se emocionarem e se divertirem ao mesmo tempo. Vai ser inspirador, acreditem. O espetáculo, como disse a própria Bibi, é uma linda comunhão entre palco e plateia. Estamos bem felizes com a turnê e poder trazê-la para Alagoas está sendo especial.

8 – Mudando um pouco de assunto… ‘Bibi – uma vida em musical’ tem o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. Como você vê esses posicionamentos recentes do Ministério da Cultura, censurando filmes e espetáculos Brasil afora?

O que está acontecendo é inadmissível. Censura? Nunca, jamais! Nós temos que continuar tendo liberdade de expressão, de criação, de produção. E a arte e o conhecimento libertam e curam. Plano de governo que tira verba da cultura é um projeto de dominação que não deve ser aceito por ninguém. E ter pessoas pensantes é perigoso para quem não gosta de gente que questiona. Saber que pessoas que agem assim é assustador, por isso, não podemos deixar que nada semelhante aconteça. E lamentamos que indivíduos mal intencionados existam em todos os lugares, mas nós temos a obrigação de afastá-los dos postos que ocupam. É importante deixar muito claro à população que cultura, educação, arte e saúde não têm partido.

Serviço

Local: Teatro Gustavo Leite
Data: 21 e 22 de setembro
Horário: Sábado às 17h e às 21h, e Domingo às 19h
Duração: 1h e 30m (aproximadamente)
Faixa Etária: 10 anos
Vendas Online: www.lojadeingresso.com
Pontos de Vendas: Viva Ingressos, Folia Brasil, Acesso Vip
Valores: Plateia A – R$ 125,00 inteira / R$ 65,00 meia
? Plateia B – R$ 105,00 inteira / R$ 55,00 meia
? Mezanino – R$ 95,00 inteira / R$ 50,00 meia
Produção Local: GA Produções
Inf. (82) 3032-5210 | 99601-2828

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