“Eu amo o Vergel”: projeto em Maceió será franquia de ONG paulista apoiada por fundador da Ambev

Um dia, o Vergel será um dos lugares mais inovadores e empreendedores de Alagoas”.

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“Eu amo o Vergel”: projeto em Maceió será franquia de ONG paulista apoiada por fundador da Ambev

A frase costuma ser repetida em palestras por Carlos Jorge, 31 anos, líder do projeto “Manda Ver”, voltado para promover ações de educação cidadã e de melhoria da qualidade de vida no Vergel do Lago – incluindo ações como, por exemplo, a criação de uma cooperativa de marisqueiras e de um banco social para apoiar quem trabalha com o Sururu na região. Ainda que a meta de Carlos possa soar utópica, ele conseguiu uma vitória importante essa semana para o bairro: seu projeto foi escolhido pela ONG Gerando Falcões (criada pelo ex-morador de favela Eduardo Lyra e apoiada por empresários como Jorge Paulo Lemann (fundador da Ambev), Carlos Wizard (dono da Mundo Verde), entre outros, como o primeiro projeto social da ONG a tentar aplicar o projeto de franquia social fora do Estado de São Paulo. Nesta sexta (23), o alagoano embarcou a São Paulo para receber um treinamento de 20 dias oferecido pela ONG paulista com o objetivo de absorver a metodologia da franquia social em seus projetos no Vergel.

“Estou feliz e ansioso para absorver o máximo de conhecimento possível e poder aplicar aqui”, diz Carlos, que já foi catador de Sururu e conhece bem, por vivência própria, os problemas do bairro. Localizado à beira da Lagoa Mundaú e com uma população estimada em mais de 32 mil habitantes, o Vergel do Lago, que durante a Segunda Guerra tornou-se ponto estratégico como área de pouso de hidroaviões norte-americanos na Lagoa Mundaú, hoje é mais conhecido nos jornais por problemas sociais como o trabalho infantil na cata do Sururu, a violência decorrente do tráfico em favelas como a Sururu de Capote e o surto recorrente de doenças como recentemente a do bicho-do-pé.

E foi exatamente graças à mobilização de voluntários para atender vítimas do surto de “bicho-de-pé” na favela Sururu de Capote na passagem de 2016 para 2017 que o trabalho de Carlos no Vergel ganhou mais visibilidade, atraindo parcerias e até prêmios, como um patrocinado pela Volkswagen, com aporte de R$ 40 mil reais para projetos na região. Apesar da ONG paulista Gerando Falcões não divulgar a estimativa do aporte que fará no projeto, a ONG divulgou que das 10 unidades que pretende abrir da franquia em cinco anos, duas delas serão abertas no primeiro semestre deste ano – uma na favela da Vila Prudente, em São Paulo, e a segunda exatamente no Vergel do Lago. A implantação da franquia deve dar ainda mais visibilidade ao projeto do alagoano que hoje já conta com apoio de empresas locais como a Braskem, Frascalli, além de instituições como o Ministério Público do Trabalho, a ONG Visão Mundial (que apadrinha crianças), Instituto Servir, Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu, entre outros.

Com ações sociais e criativas — como a produção de camisetas com a frase “Eu amo o Vergel” –, Carlos pode ainda estar longe do sonho de transformar o bairro em um polo de inovação e empreendedorismo. Até lá, contudo, o projeto “Manda Ver” já conseguiu um grande feito: deu visibilidade nacional a um trecho de nossa orla lagunar que boa parte dos maceioenses prefere não ver.

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